A ansiedade que pode atrapalhar


O atleticano é diferente, é fiel, é fanático e não abandona o Carijó em nenhum momento. Foi assim na década de 70 e 80, quando a melhor equipe do Brasil foi prejudicada pela arbitragem e por todos aqueles que não aceitavam que um time mineiro fosse hegemônico no país. Foi assim também durante as péssimas administrações que afundaram o clube em dívidas, e naquela que permitiu a queda para a Série B em 2005.

A torcida do Galo aprendeu a transformar sofrimento em fé, e é por isso que se tornou incomparável e indiscutível. No ano do centenário do clube não teve a festa que merecia, e ainda guarda como principal triunfo o primeiro título nacional, conquistado no ano de 1971. Já se passaram 38 anos e, depois de várias vezes ficar no quase, parece que a ansiedade se torna cada vez maior.

Ser vice campeão invicto em 1977; ter sido notoriamente prejudicado pela arbitragem em 1980, em 1982 e em quase todos os anos até aqui; ter perdido aquela partida no ABC Paulista em 2001 para o São Caetano, numa verdadeira piscina, quando se tinha uma equipe infinitamente mais técnica e qualificada; ter deixado escapar o título em 2009 por falta de ousadia do antigo treinador. Enfim, estas são algumas das cicatrizes que se tornaram visíveis no corpo do Galo Forte Vingador, mas que nunca o derrubaram, pois, como está escrito em seu hino, este nascera para “honrar o nome de Minas no cenário esportivo mundial”.

Atualmente, a esperança está toda depositada no técnico Vanderlei Luxemburgo, penta campeão brasileiro e de um currículo invejável. Realmente, Luxemburgo é um grande treinador, mas não pode ter tanta responsabilidade jogada sobre seus ombros. Se não vencer pelo menos uma das quatro competições que disputará este ano – Campeonato Mineiro, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana –, com certeza terá sua capacidade colocada em xeque por muitos torcedores e críticos.

Acredito que a maior conquista que o Atlético pode alcançar com esse novo projeto é a retomada do respeito que sempre teve em todos os quatro cantos do país. Com estrutura física e com um planejamento de primeira linha, os títulos serão consequência.

A princípio, trata-se de um projeto de dois anos, mas que pode ser pouco tempo para colocar em ordem tudo aquilo que foi tirado do lugar por pessoas que não tinham capacidade de dirigir o Clube Atlético Mineiro. Pode ser um pedido difícil para quem aguarda há tempos por um título de expressão, mas resta ao torcedor um pouco mais de paciência.

A ansiedade pode ser uma pedra no caminho, mas pode e deve ser controlada. Afinal, as cicatrizes não devem se tornar feridas abertas.

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